Fertilização in vitro

A fertilização (encontro do óvulo e do espermatozóide) ocorre normalmente nas trompas. A fertilização in vitro, como o próprio nome diz, é uma técnica em que a fertilização ocorre em laboratório. Após o acompanhamento das primeiras fases das divisões do embrião, o mesmo é transferido para o útero, onde deverá implantar-se e dar início à gestação.

 

Esta técnica surgiu para resolver o problema das mulheres que, por algum motivo, não têm as trompas (como foi o caso da mãe de Louise Brown, a primeira criança nascida por fertilização in vitro) ou para aquelas que estão com as trompas obstruídas, sem condições de correção cirúrgica.

 

O avanço da ciência nessa área tornou a fertilização in vitro uma técnica importante também em casos de fator masculino, endometriose, fator imunológico e infertilidade sem causa aparente, bem como na falha das outras terapêuticas.

 

Injeção intracitoplasmática de espermatozóides - ICSI

Trata-se de um procedimento bastante elaborado do ponto de vista técnico. Na ICSI, um espermatozóide é isolado e colocado diretamente no citoplasma do óvulo. As etapas do procedimento são as mesmas da fertilização in vitro - a diferença está na inseminação dos óvulos.

 

Para a ICSI necessita-se de um microscópio especial, ao qual se acopla um sistema de micromanipuladores controlados hidráulica e eletronicamente. Estes micromanipuladores, dotados de micropipetas, permitem que se fixe um óvulo e se injete no interior do mesmo um espermatozóide.

 

Com esta técnica, a fertilização pode ser obtida com número muito baixo de espermatozóides no ejaculado, ou utilizando-se espermatozóides do epidídimo ou do testículo. O método tem sido utilizado com sucesso em casos de fator masculino severo.

 

Inseminação artificial

É a deposição de espermatozóides preparados em laboratório, diretamente no útero. Como a fertilização ocorrerá nas trompas, é condição imprescindível que elas sejam normais. Este procedimento está indicado quando existe alguma dificuldade ou impossibilidade de o espermatozóide "subir" pelo colo uterino, tais como muco cervical inadequado, alterações anatômicas do colo, problemas de qualidade seminal, má interação muco-espermatozóide, dificuldades na relação sexual, etc.

 

As etapas do procedimento são:

 

a. Estimulação ovariana: estimula-se o ovário com hormônios de forma a obter dois ou três folículos, porque isso aumenta as chances de gravidez. O controle é feito por ecografia transvaginal;

b. Coleta e preparo de sêmen: a amostra seminal é preparada de forma a separarem-se os espermatozóides de melhor qualidade;

c. Inseminação intrauterina: os espermatozóides selecionados em 0,5 ml de meio de cultura são depositados no útero através de uma cânula plástica fina. É um procedimento indolor, semelhante ao exame ginecológico.

 

Diagnóstico genético pré-implantacional

O diagnóstico genético pré-implantacional (usualmente conhecido pela sigla PGD, do inglês Preimplantation Genetic Diagnosis) consiste em um conjunto de procedimentos e técnicas que permite identificar anormalidades cromossômicas ou doenças gênicas poucos dias após a concepção.

 

Esta técnica começou a ser desenvolvida na Inglaterra a partir de 1989. Desde então, muitos estudos publicados relatam o nascimento de bebês normais após a realização do PGD para diferentes doenças genéticas.

 

O PGD é uma opção para reduzir o risco de transmitir uma doença genética específica. Seu uso tem sido também estudado para redução do risco de transmissão de mutação em genes de predisposição, como nas síndromes de câncer hereditário, e para tipagem HLA e diagnóstico genético em doenças hematológicas. 

 

Aspiração de espermatozóides do epidídimo - PESA

Em algumas situações, não aparecem espermatozóides no ejaculado (azoospermia), mas eles podem ser “buscados” no epidídimo ou no testículo. Este procedimento geralmente é realizado simultaneamente à aspiração dos óvulos.

 

A coleta de espermatozóides do epidídimo (PESA) é feita por punção percutânea, semelhante a uma injeção. O procedimento é realizado com anestesia local e, ao terminar, o paciente já está em condições de retirar-se do bloco cirúrgico.

 

O Fertilitat é pioneiro na América Latina nessa técnica – em 1994, a clínica foi responsável pelo primeiro relato de gravidez com uso de espermatozóide retirado do epidídimo do continente.

 

Aspiração de espermatozóides do testículo - TESA

A coleta de espermatozóides do testículo (TESA) é a uma das alternativas de paternidade biológica para homens que não apresentam espermatozóide no ejaculado. A retirada pode ser feita por aspiração percutânea ou através da abertura do testículo para a retirada de um ou mais fragmentos, em um procedimento semelhante à biópsia.

 

O paciente pode optar por anestesia local ou por analgesia (medicação venosa para dormir, sem entubação) para a realização desta etapa.

 

O Fertilitat levantou, em 2007, os primeiros dados brasileiras sobre fertilização a partir de espermatozóides retirados do testículo – a técnica foi tema da tese de doutorado da médica Mariangela Badalotti, diretora da clínica. Os resultados dessa pesquisa sugerem que o espermatozóide extraído do testículo é tão eficiente quanto o do ejaculado na obtenção de gravidez.

 

Congelamento de óvulos

O ritmo de vida dos casais modernos tem levado muitas mulheres a postergar a gravidez. Para preservar a fertilidade – que começa a diminuir bruscamente a partir dos 35 anos – uma das alternativas é o congelamento de óvulos.

 

O primeiro nascimento brasileiro, através do método lento, foi registrado no Rio Grande do Sul, em 2002, resultado do trabalho do Fertilitat.

 

A taxa de gravidez clínica com congelamento de óvulos é da ordem de 30%, o mesmo resultado obtido através do congelamento de embriões. É também uma alternativa ao congelamento de embriões, que gera 10 mil excedentes por ano apenas na América Latina.

 

A técnica consiste na aspiração dos óvulos e seu congelamento em nitrogênio líquido até o momento ideal para a fertilização. A forma de congelamento é que define a variação da técnica – quando o processo é gradual, é chamado de congelamento lento; quando o processo é abrupto, é chamado de vitrificação.

 

O congelamento de óvulos também é útil para pacientes com câncer. Isso porque os tratamentos quimio e radioterápicos podem comprometer a função do ovário e resultar em infertilidade. Nestes casos, sugere-se que as pacientes submetam-se à aspiração dos óvulos antes do início deste tipo de tratamento.

 

Congelamento de espermatozóides

O espermatozóide, considerado uma célula resistente, tem sido facilmente submetido ao congelamento e descongelamento. A criopreservação de sêmen apresenta bons resultados. É indicada antes de tratamentos cirúrgicos (orquiectomia = retirada do testículo), quimio e radioterápicos, que podem levar à infertilidade. Também é uma alternativa durante o tratamento de fertilização assistida, nos casos em que o parceiro não pode comparecer na clínica no dia da coleta.

 

Doação de Óvulos

A doação de óvulos surge em 1983 como mais uma técnica ofertada pela Medicina Reprodutiva cujo objetivo é oferecer a oportunidade de realizar o desejo de parentalidade a pessoas que necessitam recorrer a um óvulo doado para realizá-lo.  Este tratamento é  realizado através de uma FIV ( Fertilização in vitro) na qual é utilizado o óvulo (gameta feminino) de uma doadora e o espermatozoide ou do parceiro da mulher que necessita receber a doação, ou de um doador nos casos de uma maternidade sozinha, ou ainda nos casos de casais homoafetivos masculinos. 

 

Cabe destacar que as técnicas de Reprodução Assistida no Brasil devem seguir obrigatoriamente as Normas Éticas dispostas na Resolução 2168/2017 do CFM – Conselho Federal de Medicina o qual é o órgão que normatiza a realização destas técnicas no Brasil. O anonimato ( as receptoras não podem conhecer a identidade da doadora dos óvulos e vice-versa), a voluntariedade e o caráter não comercial da doação de óvulos estão dentro das prerrogativas dispostas nesta resolução.

 

Indicações para a utilização de óvulos doados:

- falência ovariana prematura
- síndrome de resistência ovariana; número e/ou qualidade insuficiente de óvulos recuperados em Fertilização in vitro (FIV)
- má-resposta repetida às medicações para estímulo ovariano
- falhas repetidas em FIV
- idade materna avançada
- doenças genéticas ligadas aos óvulos 
- casais homoafetivos masculinos.

 

Quem pode doar óvulos?
Podem doar óvulos mulheres de até 35 anos, com histórico negativo de doenças geneticamente transmissíveis, exame de cariótipo (DNA) normal, rastreamento negativo para doenças sexualmente transmissíveis, com compreensão completa do processo, nível adequado de ajustamento psico-social e que desejem voluntariamente auxiliar pessoas que estão buscando realizar o sonho terem filhos.

 

Em que situações uma mulher pode tornar-se uma doadora? 
A partir da resolução 2168/2017 é permitida a doação voluntária de óvulos, bem como a situação identificada como doação  compartilhada, situação  em  que  doadora  e  receptora,  participando como portadoras de problemas de reprodução, compartilham tanto do material biológico quanto  dos  custos  financeiros  que  envolvem  o  procedimento  de  RA.

 

Programa de Doação Compartilhada de Óvulos – FERTILITAT 
O  Programa  de  Doação  Compartilhada  de Óvulos compreende  uma  parceria voluntária  entre  duas  mulheres  que  necessitam  dos  recursos  da  Fertilização Assistida para realizar o desejo de maternidade. Uma, com indicação para receber óvulos doados em virtude do já exposto acima, e outra com indicação de FIVET, que deseja auxiliar outro casal na realização de seu projeto parental e que, pode necessitar de auxílio econômico para realizar o procedimento. É um programa de doação recíproca onde o que une estas mulheres é a tentativa de realização do sonho da maternidade.

 

Tanto a decisão de doar óvulos quanto a de recebê-los constitui um processo delicado e que necessita que as partes envolvidas possam, além de conhecer todos as aspectos envolvidos, refletir sobre a decisão que estão tomando. Pensando em oportunizar uma tomada decisão consciente, o FERTILITAT oferece um espaço de escuta e reflexão conduzido pela psicóloga da equipe tanto à doadora quanto à receptora como parte do programa.

 

O Programa de Doação Compartilhada de Óvulos – FERTILITAT tem como preceitos fundamentais a ética e o respeito ao ser humano, proporcionando a todos os envolvidos cuidadosa atenção médica e psicológica. 

 

Etapas

1) Entrevista de Orientação 
As pacientes com indicação clínica para doar ou receber óvulos participam de duas  Entrevistas com a psicóloga coordenadora do Programa de Doação de Óvulos  para que lhes seja explicado “step by step”  todo o processo bem como as implicações sociais e psicológicas concernentes. Estas entrevistas objetivam ser espaço de reflexão para que as partes envolvidas tenham assegurado seu direito à autonomia e a escolha consciente e livre do processo que visa o alcance da parentalidade.  Igualmente este espaço busca prevenir danos psicológicos futuros e trabalhar o vínculo entre pais e a criança gerada com o auxílio deste programa. As pacientes (casais) participarão ainda de uma Entrevista Médica com o médico integrante do Programa de Ovodoação para que lhes seja explicado todo o processo médico a que serão submetidos, bem como todas as implicações clínicas envolvidas. 

 

2) Questionário Médico 
Consiste em um extenso screening da história médica. Este questionário  é usado para determinar  se  o programa é seguro para ambas as partes, em especial para a receptora.

 

3) Questionário Psico-social
São apresentados para doadora e receptora questionários, onde são propostos temas de cunho psico-social para reflexão e avaliação. Estes protocolos permitem obter informações sobre aspectos subjetivos e psicológicos de doadores e receptores.

 

4) Entrevista Psicológica
Aos casais participantes do programa é oferecido por um psicólogo, espaço de orientação e reflexão sobre os aspectos emocionais implicados nesta forma singular de aceder a maternidade e paternidade. Nesta oportunidade são avaliados os recursos psicológicos das pessoas envolvidas para lidar com este processo.

 

5) Exames Médicos
O médico responsável pelo Programa solicita, a partir do atendimento das possíveis doadoras e receptoras, exames médicos para avaliar suas condições de saúde.

 

6) Aconselhamento genético
Como parte da avaliação médica da doadora, esta deve realizar uma avaliação cromossômica através de exame de Cariótipo, bem como realizar uma consulta com a geneticista da equipe Fertilitat com vistas a avaliar o histórico de saúde familiar.

 

7) Consentimento Livre e Esclarecido
Em tendo preenchido todos os critérios para participar do Programa de Ovodoação as partes envolvidas devem assinar Termo de Consentimento Livre e Esclarecido onde dão sua ciência e anuência de todas as implicações deste procedimento.