21/02/2009

Cada uma escolhe o seu

Escolher o melhor método contraceptivo é um quebra-cabeça formado por pequenas peças que, juntas, devem compor um quadro de equilíbrio. Neste quadro, devem ser contemplados a saúde da mulher, o conforto no uso e, claro, a eficácia do método.

Um dos mais difundidos e eficazes é a pílula Por ano, a cada mil mulheres, apenas de três a oito falhas ocorrem, dependendo de como a medicação é usada. Alguns detalhes podem fazer essa pequena chance tomar a dimensão de um grande susto.

O ginecologista Marcelino E. H. Poli, presidente da Comissão Nacional de Anticoncepção da Federação Brasileira da Sociedade de Gineco e Obstetrícia (Febrasgo), alerta para os deslizes suaves do cotidiano.
- O mais comum é o esquecimento. Deixar de tomar por dois ou três dias e depois continuar seguindo a cartela normalmente – exemplifica.

Outra falha comum é a desatenção com o uso e outros medicamentos, como antibióticos de uso curto, antibióticos de largo espectro (que combatem uma grande variedade de micro-organismos), anticonvulsionantes, antituberculose e ervas de São João.
Essa é uma pequena lista de remédios que podem fazer a pílula perder parte do efeito e torná-la parcialmente inativa.

Médico precisa ser informado sobre outros medicamentos que a paciente está tomando para evitar interferências.

-É muito importante avisar aos médicos que receitam esses remédios que a mulher toma a pílula. Quando há necessidade, pode-se mudar o medicamento ou até trocar o tipo de contraceptivo – recomenda a ginecologista Mariângela Badalotti, que ressalta a importância da consulta a um especialista antes de a mulher adotar um método contraceptivo.

Entre as alternativas, há vários outros métodos que podem ser escolhidos de acordo com cada paciente.
Segundo Mariângela, devem ser consideradas as contra-indicações, os efeitos colaterais, os efeitos não-contraceptivos e o conforto – por exemplo, a visibilidade. Visibilidade?

- Isso mesmo. Ao contrário de outras, algumas adolescentes gostam de mostrar o adesivo (selo sobre a pele) e lamentam que não seja colorido, com alternativa de cores – conta a ginecologista.
Os adesivos tem como ponto negativo o preço. Saem mais caro do que outros métodos tradicionais. Como vantagem, está o fato de serem trocados apenas a cada sete dias, sem a necessidade de a mulher lembrar diariamente, como quando opta pela pílula.

Mas se mesmo assim o esquecimento for constante, a saída pode ser adotar o dispositivo intrauterino (DIU). Há dois tipos: com duração de cinco ou de 12 anos.
- É o método mais utilizado na China. O DIU sem cobre utiliza hormônios. No primeiro ano, a chance de falha é quase zero. Ao final dos cinco anos, é de 0,2%, no somatório total – explica o ginecologista Poli.

Desvantagem: o DIU mais durável pode aumentar o fluxo menstrual e provocar cólica. Com o DIU de cinco anos, a menstruação pode ficar irregular nos primeiros meses e tende a cessar.

Pílula

Uso: uma vez por dia, durante 21 dias, e intervalo de sete dias. Outro tipo de pílula, com menor dose de hormônios, deve ser tomada uma vez por dia, durante 24 dias, com quatro dias de intervalo, com a mesma eficácia.

Eficácia: falha de 0,3% a 8% entre usuárias por ano, de acordo com o uso correto ou não.

Vantagem: é o método mais difundido e conhecido, facilitando a troca de informações, e proporciona vários benefícios à saúde.

Desvantagem: esquecimentos são comuns, comprometendo a eficácia.

Injeção

Uso: mensal ou trimestral.

Eficácia: falha de 0,3% a 3% por ano, de acordo com o uso correto ou não.

Vantagem: menos esquecimentos. Vômitos e diarréias não interferem.

Desvantagem: sangramento irregular e aumento de peso, às vezes.

Anéis Vaginais

Uso: ciclos de 21 dias

Eficácia: falha de 0,3% a 8% por ano, de acordo co o uso correto ou não.

Vantagem: os hormônios são absorvidos diretamente pelas paredes da vagina.

Desvantagem: algumas mulheres sentem dificuldade em manipular os anéis e posicioná-los.

DIU

Uso: há modelos que duram cinco anos outros de 12 anos.

Eficácia: as chances de falha variam de 0,2% a 0,6 % de acordo com o modelo e o tipo de uso.

Vantagem: a longa duração do efeito contraceptivo.

Desvantagem: o DIU mais durável pode aumentar o fluxo menstrual e provocar cólica. Com o DIU de cinco anos, a menstruação pode ficar irregular nos primeiros meses e tende a cessar.

Pílula de Emergência

Uso: até 120 horas após o ato sexual.

Eficácia: se ingerida nas primeira 12 horas, a pílula de emergência (popularmente conhecida como pílula do dia seguinte) reduz o risco de gravidez em 90%.

Vantagem: pode ser usada mesmo após o ato sexual.

Desvantagem: se ingerida 72 horas depois da relação, as chances de falha aumentam.

Implante Subcutâneo

Uso: troca-se o tubo colocando sob a pele, que libera o hormônio, a cada três anos.

Eficácia: 0,05% de falha por ano.

Vantagem: é de longa duração e pode ser usado em situações em que a pílula é contra-indicada.

Desvantagem: pode deixar o fluxo sanguíneo irregular.


Matéria publicada no Jornal Zero Hora. Clique na imagem ao lado para ampliá-la.

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