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Aumento de casos de câncer em jovens reforça importância da preservação da fertilidade

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Aumento de casos de câncer em jovens reforça importância da preservação da fertilidade

Técnicas da medicina são aliadas de pacientes oncológicos que pretendem ter filhos

Pesquisa recente do Observatório de Oncologia alertou para o aumento dos casos de câncer na população entre 20 e 49 anos. O estudo, realizado entre 1997 e 2016, demonstrou avanço das taxas brutas de mortalidade no Brasil por todas as neoplasias. Para a faixa etária com menos de 50 anos, a alta ocorreu em dez dos 19 tipos analisados.

Mesmo com esse crescimento, os recursos terapêuticos evoluíram muito no período, e as taxas de sobrevida estão cada vez maiores. O desafio, segundo especialistas, passa a ser a repercussão tardia dos tratamentos – que antes não eram tão frequentes e agora assumem um papel importante para a manutenção da qualidade de vida. Entre as complicações está a possível perda de fertilidade.

Segundo o ginecologista Fernando Badalotti, para os pacientes oncológicos em idade reprodutiva e fertilidade em risco devido às terapias, existem alternativas que podem ser aliadas ao desejo de ter filhos. “Com o diagnóstico precoce da doença, é possível que a pessoa tenha filhos biológicos no futuro”, destaca o especialista em reprodução assistida do Fertilitat.

Diretriz da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) aponta que os riscos que tratamentos podem oferecer à fertilidade e alternativas para preservá-la devem ser registrados em prontuário. “Os pacientes devem ser informados sobre os perigos e direcionados a um especialista em preservação da fertilidade”, pontua Badalotti.

Como preservar

Diferentes opções de terapias de preservação estão disponíveis. Em mulheres, é realizada a indução da ovulação, e os óvulos podem ser congelados e preservados para uma ocasião mais oportuna, sem os riscos inerentes ao tratamento. Outra possibilidade é fertilizar os óvulos com o sêmen do parceiro e congelar os embriões. Para um público feminino mais jovem, Badalotti cita a técnica de congelamento do tecido ovariano. “Com esse método, os fragmentos de ovário são retirados por laparoscopia e reimplantados após o tratamento da enfermidade.”

E para homens, a criopreservação do esperma é a melhor forma de preservação estabelecida, segundo o especialista. “Óvulos, espermatozoides e embriões podem manter-se preservados por tempo indeterminado, proporcionando assim o tempo necessário para a cura do paciente”, destacou o especialista do Fertilitat. A clínica integra o Oncofertility Consortium, rede internacional que une mais de 50 centros de todo o mundo, com objetivo de expandir conhecimentos, pesquisas e práticas clínicas na área da oncofertilidade.