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Artigo: medicina e espiritualidade em sintonia

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Artigo: medicina e espiritualidade em sintonia

O período de isolamento é, também, uma rara oportunidade de reflexão. Passamos mais tempo com nós mesmos, fazendo surgir inúmeras questões existenciais. Qual o sentido da minha vida? Como podemos nos conectar a algo maior? Somos humanos e estamos naturalmente inclinados a desvendar esses enigmas. E essa propensão tem nome: espiritualidade.

O tema, embora tenha conexão, não deve ser confundido com religiosidade. Enquanto a vivência de uma religião envolve necessariamente a sistematização de uma doutrina em grupo, a espiritualidade está relacionada ao significado e ao propósito da vivência – justificando e dando significado a partir de aspectos do espírito.

E, se estamos falando de vida, não podemos desvincular a espiritualidade de outros pontos do cotidiano – nem mesmo os que têm a ciência em seu âmago. É o caso da medicina. Diversos avanços criaram um modelo focado na cura orientada pela tecnologia, e essa evolução tem sido fundamental para prolongar nossa existência. No entanto, muitos profissionais passaram a concentrar toda a atenção no corpo e negligenciar as perspectivas psicológicas, espirituais, sociais e ecológicas das doenças.

Nas últimas décadas, os serviços de saúde têm buscado equilíbrio, reconhecendo a espiritualidade como algo profundamente ligado à saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também revisou esse conceito e definiu, há mais de 20 anos, que “saúde é um estado dinâmico de completo bem-estar físico, mental, espiritual e social, e não meramente a ausência de doença ou enfermidade”. Mas será que isso já é uma realidade na formação e na prática de nossos médicos?

Em meio a uma pandemia histórica, com tanto risco e pressão sobre a saúde global, não podemos deixar isso de lado. Estudos sugerem que indivíduos com práticas espirituais regulares tendem a viver mais. E ainda: isso pode aliviar o estresse por oferecer suporte social e fortalecer valores pessoais e de compreensão. Pacientes podem utilizar suas crenças para lidar com a dor, são otimistas e têm melhor qualidade de vida. Unindo ciência, conhecimento e espiri- tualidade, certamente sairemos fortalecidos desse grande desafio – e, quando a vida voltar ao normal, teremos uma prática médica ainda mais humana e de qualidade.

Por Adriana Arent, ginecologista do Fertilitat. Publicado em Zero Hora no dia 6 de maio de 2020